Muito sucintamente, passamos a referir:
A mamografia como único método de rastreio capaz de detectar o cancro da mama numa fase infraclínica, de lesão oculta, não palpável.
Na sua vertente de rastreio, isto é, dirigida a mulheres assintomáticas e na vertente de diagnóstico dirigida a mulheres com sintomatologia, a mamografia continua a ser a técnica fundamental na área da imagiologia mamária.
A ecografia mamária é um importante complemento da avaliação mamografica e como tal, auxiliar de diagnóstico na caracterização das lesões, mas não como método de rastreio do cancro da mama.
Nas mulheres jovens deverá ser o método de avaliação primário em caso de sintomatologia ou antecedentes familiares de risco.
A ressonância magnética surge como técnica de 3ª linha na avaliação da patologia mamária, destacando-se, entre outras indicações, o seu papel no estadiamento do cancro da mama permitindo uma orientação terapêutica mais adequada com vista a redução de recidivas, mais sobrevida com melhor qualidade de vida.
Cada uma destas técnicas permite procedimentos de intervenção – citologia /biópsia - com vista a um diagnóstico anatomo-patológico, competindo ao médico radiologista a decisão e execução do método mais adequado a cada situação.
A imagiologia mamária tem vindo a afirmar-se como uma das áreas mais importantes no contexto da Senologia como especialidade, dado o precioso contributo na detecção e diagnóstico precoce do cancro da mama, permitindo atitudes terapêuticas menos agressivas, menos mutilantes oferecendo à mulher sobretudo, qualidade de vida.
Olga Fouto
(Médica imagiologista especialista em doenças mamárias)
O cancro da mama é a neoplasia mais frequente na mulher. É mais habitual na pós menopausa, mas ocorre também em mulheres mais novas. Pode aparecer no homem.
A grande diversidade nas suas formas de apresentação, a sua frequência e o atingimento de mulheres em fase profissional activa ocasionaram grandes investimentos no rastreio e investigação, com descoberta de novos fármacos. Estes factores têm desencadeado o interesse da imprensa, trazendo para o conhecimento público as numerosas possibilidades de tratamento disponíveis.
As notícias que, por um lado, dão esperança a muitas doentes, podem, no entanto, ser perturbadoras dadas as várias ofertas terapêuticas. Estas dependem do tipo de doença e do estadio na altura do diagnóstico. Há situações que podem ser tratadas com cirurgia apenas, e outras que beneficiam mais da quimioterapia, radioterapia, hormonoterapia e terapêuticas biológicas.
Há muitas doentes que não necessitam de mastectomia ficando convenientemente tratadas com tumorectomia e radioterapia.
É na altura do diagnóstico que a doença deve ser correctamente classificada consoante o risco de recaída no futuro, e, como tal, tratada.
Apesar da existência de normas internacionais de tratamento, as decisões são, na maioria dos casos, individualizadas e partilhadas entre o médico e a doente.
A incidência do cancro da mama aumentou nas últimas décadas. No entanto parece haver uma diminuição da mortalidade nestes primeiros anos do novo século, possivelmente devido ao aumento do rastreio e detecção precoce e ao aparecimento de novos fármacos.
Actualmente o cancro da mama pode ter cura. O diagnóstico precoce é fundamental.
A orientação terapêutica inicial deve ser discutida entre o médico e a doente, de forma a ser compreendida e cumprida.
Os profissionais de saúde são amigos com que quem se pode contar!
Ana del Rio
(Médica Oncologista)
O Cancro da Mama, raro nos homens, é a neoplasia mais frequente na mulher.
Em Portugal estimou-se uma incidência de 103,5/100.000 habitantes em 2006, com cerca de 5.000 novos casos anualmente. Destes, 50% ocorrem entre os 50 e os 65 anos e 30% em idades superiores a 70 anos.
A má notícia do aumento de incidência é atenuada com a boa notícia de que cada vez é maior o número de curas alcançadas.
A abordagem do Cancro da Mama sendo multidisciplinar, começa pela prevenção ao que não é de maneira nenhuma alheia a “vida saudável”. Há inúmeros factores que podem ter influência na prevenção ou no aumento do risco do seu aparecimento, mas é no diagnóstico precoce que actualmente recai a prevenção mais eficaz (não sendo uma prevenção do aparecimento, é a de doença avançada ou não curável).
Para o diagnóstico, a Investigação e o investimento feitos nas novas técnicas de imagem e diagnóstico histológico (biópsia), permitem a detecção de tumores cada vez mais pequenos (milimétricos) o que, sendo um factor determinante para podermos tratar estes doentes com cirurgias cada vez menos mutilantes e até “oncoplásticas”, tem uma influência fundamental no prognóstico da doença e na sua cura.
Para além da Cirurgia que é a base do tratamento do cancro da mama, existem outros tratamentos, chamados adjuvantes: Radioterapia, Quimioterapia, Hormonoterapia e Terapêuticas Biológicas.
Ao contrário da radioterapia que é um tratamento local, é nas outras modalidades de terapêutica sistémica que se têm feito enormes investimentos com o aparecimento de novos produtos que, para além de terem influência na prevenção, não só permitem a cura como também podem de certa maneira transformar esta doença numa doença crónica e perfeitamente tolerável.
Termino, reforçando a ideia de que a abordagem do cancro da mama é multidisciplinar, o diagnóstico deve ser o mais precoce possível e o intervalo entre este e o tratamento não é compatível com um longo período de espera.
As recomendações nacionais para o diagnóstico e tratamento do cancro da mama preconizam um intervalo máximo de 4 semanas entre o diagnóstico e a primeira abordagem terapêutica e um intervalo de 6 semanas entre os vários meios de tratamento com objectivo curativo.
João Leal de Faria
(Senologista)