Dia Mundial da Prevenção do Cancro da Mama - A opinião de três especialistas do BHXXI

por Drª Olga Fouto, Drª Ana Del Rio e Dr. João Leal de Faria

No mês dedicado ao cancro da mama é particularmente oportuno reforçar o valor da imagiologia mamária como uma das principais armas na luta contra esta doença que afecta um elevado número de mulheres nas várias faixas etárias, nomeadamente, em fase de vida activa.

Muito sucintamente, passamos a referir:

A mamografia como único método de rastreio capaz de detectar o cancro da mama numa fase infraclínica, de lesão oculta, não palpável.

Na sua vertente de rastreio, isto é, dirigida a mulheres assintomáticas e na vertente de diagnóstico dirigida a mulheres com sintomatologia, a mamografia continua a ser a técnica fundamental na área da imagiologia mamária.

A ecografia mamária é um importante complemento da avaliação mamografica e como tal, auxiliar de diagnóstico na caracterização das lesões, mas não como método de rastreio do cancro da mama.

Nas mulheres jovens deverá ser o método de avaliação primário em caso de sintomatologia ou antecedentes familiares de risco.

A ressonância magnética surge como técnica de 3ª linha na avaliação da patologia mamária, destacando-se, entre outras indicações, o seu papel no estadiamento do cancro da mama permitindo uma orientação terapêutica mais adequada com vista a redução de recidivas, mais sobrevida com melhor qualidade de vida.
 
Cada uma destas técnicas permite procedimentos de intervenção – citologia /biópsia - com vista a um diagnóstico anatomo-patológico, competindo ao médico radiologista a decisão e execução do método mais adequado a cada situação.

A imagiologia mamária tem vindo a afirmar-se como uma das áreas mais importantes no contexto da Senologia como especialidade, dado o precioso contributo na detecção e diagnóstico precoce do cancro da mama, permitindo atitudes terapêuticas menos agressivas, menos mutilantes oferecendo à mulher sobretudo, qualidade de vida.

Olga Fouto
(Médica imagiologista especialista em doenças mamárias)

 

O cancro da mama é a neoplasia mais frequente na mulher. É mais habitual na pós menopausa, mas ocorre também em mulheres mais novas. Pode aparecer no homem.

A grande diversidade nas suas formas de apresentação, a sua frequência e o atingimento de mulheres em fase profissional activa ocasionaram grandes investimentos no rastreio e investigação, com descoberta de novos fármacos. Estes factores têm desencadeado o interesse da imprensa, trazendo para o conhecimento público as numerosas possibilidades de tratamento disponíveis.

As notícias que, por um lado, dão esperança a muitas doentes, podem, no entanto, ser perturbadoras dadas as várias ofertas terapêuticas. Estas dependem do tipo de doença e do estadio na altura do diagnóstico. Há situações que podem ser tratadas com cirurgia apenas, e outras que beneficiam mais da quimioterapia, radioterapia, hormonoterapia e terapêuticas biológicas.

Há muitas doentes que não necessitam de mastectomia ficando convenientemente tratadas com tumorectomia e radioterapia.

É na altura do diagnóstico que a doença deve ser correctamente classificada consoante o risco de recaída no futuro, e, como tal, tratada.

Apesar da existência de normas internacionais de tratamento, as decisões são, na maioria dos casos, individualizadas e partilhadas entre o médico e a doente.

A incidência do cancro da mama aumentou nas últimas décadas. No entanto parece haver uma diminuição da mortalidade nestes primeiros anos do novo século, possivelmente devido ao aumento do rastreio e detecção precoce e ao aparecimento de novos fármacos.

Actualmente o cancro da mama pode ter cura. O diagnóstico precoce é fundamental.

A orientação terapêutica inicial deve ser discutida entre o médico e a doente, de forma a ser compreendida e cumprida.

Os profissionais de saúde são amigos com que quem se pode contar!

Ana del Rio
(Médica Oncologista)

 

O Cancro da Mama, raro nos homens, é a neoplasia mais frequente na mulher.

Em Portugal estimou-se uma incidência de 103,5/100.000 habitantes em 2006, com cerca de 5.000 novos casos anualmente. Destes, 50% ocorrem entre os 50 e os 65 anos e 30% em idades superiores a 70 anos.

A má notícia do aumento de incidência é atenuada com a boa notícia de que cada vez é maior o número de curas alcançadas.

A abordagem do Cancro da Mama sendo multidisciplinar, começa pela prevenção ao que não é de maneira nenhuma alheia a “vida saudável”. Há inúmeros factores que podem ter influência na prevenção ou no aumento do risco do seu aparecimento, mas é no diagnóstico precoce que actualmente recai a prevenção mais eficaz (não sendo uma prevenção do aparecimento, é a de doença avançada ou não curável).

Para o diagnóstico, a Investigação e o investimento feitos nas novas técnicas de imagem e diagnóstico histológico (biópsia), permitem a detecção de tumores cada vez mais pequenos (milimétricos) o que, sendo um factor determinante para podermos tratar estes doentes com cirurgias cada vez menos mutilantes e até “oncoplásticas”, tem uma influência fundamental no prognóstico da doença e na sua cura.

Para além da Cirurgia que é a base do tratamento do cancro da mama, existem outros tratamentos, chamados adjuvantes: Radioterapia, Quimioterapia, Hormonoterapia e Terapêuticas Biológicas.

Ao contrário da radioterapia que é um tratamento local, é nas outras modalidades de terapêutica sistémica que se têm feito enormes investimentos com o aparecimento de novos produtos que, para além de terem influência na prevenção, não só permitem a cura como também podem de certa maneira transformar esta doença numa doença crónica e perfeitamente tolerável.

Termino, reforçando a ideia de que a abordagem do cancro da mama é multidisciplinar, o diagnóstico deve ser o mais precoce possível e o intervalo entre este e o tratamento não é compatível com um longo período de espera.

As recomendações nacionais para o diagnóstico e tratamento do cancro da mama preconizam um intervalo máximo de 4 semanas entre o diagnóstico e a primeira abordagem terapêutica e um intervalo de 6 semanas entre os vários meios de tratamento com objectivo curativo.

João Leal de Faria
(Senologista)